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A seguir, mais um texto deste repórter ecológico que vos escreve, engajado na luta pela preservação da vida de toda a nossa Biosfera
“Quem vai levar a Maracanãzinha? Setenta na minha mão! É pra acabar”! “Olha aí freguês, olha aí freguesa, o camelô ficou maluco: casal de coruja por um galinho! É só cinqüenta!”
A impunidade e a falta de uma fiscalização efetiva nas grandes feiras livres tem acarretado um verdadeiro leilão informal da biodiversidade nacional, a preço de banana. O comércio ilegal de espécies da fauna brasileira está amostra e acessível a qualquer pessoa que se interesse pelo cativeiro de animais exóticos e exuberantes, não precisando de muitos requisitos para a compra: apenas alguns trocados. Segundo dados do IBAMA, calcula-se que este tipo de comércio retire, anualmente, 12 milhões de animais das matas brasileiras e que movimentam uma quantia aproximada de US$20 bilhões, pertencendo ao Brasil a imensa contribuição de 15 % desse valor. Significa dizer que o contrabando de animais é o segundo maior comércio ilícito lucrativo do mundo, estando à frente da comercialização de armas e perdendo apenas para o tráfico de drogas.
Hoje, cientistas de todo o mundo calculam que existam entre 10 e 100 milhões de espécies de seres vivos em toda a Terra, onde apenas 1,4 milhão é conhecido e que 25% deste total já estão ameaçados de extinção. Diariamente desaparecem quase 300 espécies de animais e vegetais, vítimas da destruição de seu habitat, ao tráfico e ao aprisionamento.
O Rio de Janeiro possui cerca de 100 feiras livres, onde animais silvestres são comercializados ilegalmente. O Estado Fluminense, juntamente com Bahia, Manaus e Pará, lidera o ranking do tráfico no país. No município de Duque de Caxias, no Rio, a feira é considerada um dos maiores núcleos de comércio ilegal da vida selvagem, possuindo os mais variados representantes da fauna brasileira, assemelhando a uma verdadeira Arca de Noé. Na feira dominical de Caxias, pode-se encontrar variedades de micos, papagaios, iguanas corrupiões, tartarugas, araras. Cegos, com ossos quebrados, asas cortadas e dopados, os animais tornam-se forçosamente dóceis, sendo comercializados com facilidade e embalados em sacolas plásticas de mercado.
Não existe preço definido para cada animal: de acordo com a aparência e a disponibilidade financeira do comprador, o valor da “mercadoria” é ajustado até tornar lucrativo para ambas as partes. O objetivo capital é passar a mercadoria adiante. Acompanhando uma manhã de Raimundo Cerqueira Farias, 53 anos, dono de um pequeno bar em Pilares, freqüentador assíduo da feira, é possível perceber como ocorrem as transações. Saiu bem cedo de casa disposto a comprar uma fêmea de Corrupião ( ave de cores fortes e exuberantes, cujo habitat estende-se por todas as limitadas áreas, ainda remanescentes, de Mata Atlântica) para que esta acasale cxom o macho da espécia que possui em cativbeiro. O valor inicial do animal era de R$80,00, mas depois de uma rápida pechincha, arrematou a ave por R$50,00. “- Aqui é assim: a gente primeiro pergunta quanto custa, faz cara feia e o vendedor vai abaixando o preço até este ficar bem camarada”, argumentou.
Para o criadouro em cativeiro desta ave, assim como a criação das inúmeras outras espécies ilegalmente comercializadas, é necessário todo um aparato legal, altamente criterioso. Segundo Fernando Campos, analista ambiental do Núcleo de Fauna do IBAMA, toda pessoa pode ter o direito de adquirir e cuidar de qualquer espécime da fauna brasileira, desde que ela notifique ao órgão de fiscalização e que seja aprovado pelo mesmo. “- Para as pessoas interessadas em abrigar animais silvestres em cativeiro, é necessário apresentação de uma carta consulta com o devido projeto especificado, descrevendo os aspectos técnicos que serão utilizados para a sustentação do animal, tais como lugar, o tipo de alimentação que a ele será fornecida e qual o objetivo e interesse na posse deste animal”. Dentre alguns itens exigidos para a autorização, presentes na primeira fase do licenciamento do projeto, estão: sistemas de marcação, características do criadouro, cronograma da produção, formas de comercialização, plantas de localização e formas de acesso às propriedades, entre outros.
Escrito por Rafael Fishman às 10h35
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>>> Continuação...
Tamanha burocracia, aliada a falta de um controle e fiscalização ativos impulsionam, cada vez mais, o contrabando e a comercialização destes animais no chamado mercado negro. São muitas as exigências legais impostas ao interessado na aquisição de bichos. Ações necessárias para inibir o aprisionamento descontrolado de espécies em cativeiro, mas que contraditoriamente, incentivam as atividades ilícitas nos aglomerados pontos de vendas populares. Tudo isso sem falar na atuação de profissionais corruptos cujo ofício capital é a repressão desta prática ilegal e que acabam ostensivamente valendo-se de “seus poderes” para adquirirem espécies, tanto para a criação própria, quanto para a negociação com traficantes, nacionais e internacionais. A revenda destes animais para países estrangeiros, principalmente para as nações européias,é mais lucrativa do que o intercâmbio nacional, podendo chegar a custar, como no caso das Ararajubas, US$10 mil dólares o casal. Outras espécies como o Mico-leão Dourado e a Arara-azul, devido à escassez e a ameaça de extinção, não possuem mais preço para negociação.
Desta forma, não é muito difícil encontrar uma viatura da polícia ao redor de feiras livres, onde o contrabando “rola solto”. Mas engana-se quem acredita que a mesma ali está para inibir as transações ilegais e repreender os traficantes. Agentes de polícia circulam pelas feiras a procura de animais contrabandeados e que, depois de aprendidos pelos fiscalizadores, o paradeiro final de muitos é desconhecido. Como assinala Waldemir Santos, “feirante” há cinco anos e que já teve muitos de seus passarinhos capturados pelos policiais: “Os agentes chegam e, sem a menor cerimônia< escolhem a mercadoria que irão levar. E a gente fica nessa situação, sem nada poder fazer: a mercê deles.”
São exceções que escapam a regra e denigrem a imagem dos corretos profissionais que atuam no severo combate ao tráfico, como por exemplo, os membros da RENCTAS 9 Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres). Uma organização sem fins lucrativos que desenvolve diversas ações em parceria com a iniciativa privada, poder público e ONG`s, no combate a esta fraude. Esta instituição conta, também, com a ajuda de pessoas dispostas a atuarem como fiscalizadores anônimos, disponibilizando, para isso, telefones e serviços de e-mail.
Escrito por Rafael Fishman às 10h33
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Para inaugurar meu blog segue o meu primeiro texto. Esta foi minha redação - vencedora - do concurso Escrevendo a Paz, promovido pela UNESCO e Folha Digirida, realicada com cerca de 13 mil universitáriuos de todo o Estado do Rio.
O mundo, após sucessivas cambalhotas, parece não mais saber ficar de pé. Tonto e desnorteado, cambaleia para todas as direções, sem rumo certo. De pernas para o ar, tornou-se impossível divisar o certo do errado. Os limites, os princípios e os caracteres de uma untuosa parcela da humanidade simplesmente desapareceram em prol da ganância, dos incontroláveis impulsos e desejos compulsivos pelo poder e fortuna. Tornaram-se um imenso aglomerado de seres completamente individualizados, com suas atenções voltadas para o próprio umbigo. De lhos fechados, recusam enxergar as puras e ingênuas belezas. Com os ouvidos tapados, repelem as variadas e sublimes melodias da natureza. E de bocas abertas, vomitam as mais perversas e putrefatas palavras, agressivas e estúpidas, desedificando pilares antes construídos em bases sólidas.
O homem, animal dotado de intelecto, cede, cada vez mais, lugar aos instintos primitivos e bárbaros, aplicando engenhosas criações na ação covarde e atroz de destruir outros homens. Nesta atmosfera densa e escura, luta todos os dias para superar o medo e conseguir viver, ou melhor, sobreviver.
Mas não estamos condenados ao fracasso e ao sofrimento eterno. Na vivemos em um mundo sentenciado de morte. Devemos, sim, esquadrinhar soluções e aplicá-las em nossas ações diárias. Existem milhares de pessoas, em todos os cantos da Terra, dispostas a reverter este cenário sombrio instaurado no palco deste novo milênio. Se comparados à magnitude de nosso universo, poderíamos igualá-los às estrelas e planetas, pulverizados na imensidão Bruna do espaço: exemplos de foco de lutas e indignação que concentram esforços no ofício de mudança conjuntural das escalas de valores humanitárias. Diríamos que são seres verdadeiramente humanos que sonham e trabalham para construir um mundo melhor.
São pessoas que se dedicam a expor quão simples é chegar à tão sonhada paz mundial. Vista hoje como um patamar tão longínquo e, praticamente, utópica a ser alcançada, a paz, ao contrário do que a grande maioria dos terráqueos imaginam, não está tão distante de nós. Paradoxalmente, ela reside dentro de nós mesmos. Não há fórmula, teorema, regra,lei, ou qualquer outro mecanismo para que a conquistemos. Devemos apenas deixar que esta emane do nosso corpo. Amar os organismos naturais que, conosco, compartilham a imensa biosfera do planeta. Ações como desgrudar a condicionada visão do negresco jornal de todas as manhãs e direcionar a atenção ao bailar de uma borboleta sobre um pequeno girassol de plástico, ou o preciso voar de um beija-flor à procura de néctar em uma samambaia artificial, presa ao teto de um escritório. Reservar alguns minutos do nosso precioso tempo para nos espelharmos mais no comportamento dos animais, que parece gritar aos nossos ouvidos, implorando que o homem cesse a destruição de toda a vida na Terra. Deveríamos adotar o comportamento amigo como o que há entre as rêmonas e os tubarões, entre os pássaros-palito e os crocodilos, entre as orquídeas e os jacarandás. Para alcançarmos a paz, basta agirmos como seres verdadeiramente espontâneos e naturais. Basta que o homem novamente se humanize!
Escrito por Rafael Fishman às 15h52
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